quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Eles vêem você

Roupas de marca, computador do ano, futebol, namoro, comidas industrializadas... São todos meios usados pela mídia para nos envolver em seus parâmetros.
Para sermos bem aceitos numa sociedade, devemos agir como todos agem dentro dela, nos vestir como todos se vestem, ver o mundo sob a mesma ótica da grande maioria e isso tudo só acarreta a decadência da nossa personalidade, nos encaixando num padrão de vida tão insignificante que não podemos percebê-lo. Somos como formigas despertando, indo pro trabalho, desempenhando bem no grande mercado, nos repousando à noite para que no outro dia o mesmo trajeto se repita automaticamente. Deixamos que o capitalismo nos transforme em escravos, em verdadeiras máquinas.
Desde o momento em que nos submetemos às indústrias, elas passam a se alimentar da gente. Como se nos reduzissem a germes, seus representantes passam a nos vigiar através de um absurdo microscópio universal. As indústrias e o governo sabem o que estamos fazendo agora, cada um de nós: estamos trabalhando para sustentar as nossas crianças, estamos comprando roupas em shoppings centers para que as outras pessoas nos invejem amanhã, estamos antenados na novela das oito, que também funciona como um meio manipulador de informações, sempre querendo saber o que vai ocorrer no próximo capítulo e nos abrindo a qualquer “sugestão” dos comerciais, estamos estudando em escolas e universidades onde o próprio ensino nos passa somente o que o governo quer que tenhamos conhecimento.

No livro Fortaleza digital, o polêmico escritor Dan Brown se refere ao órgão de criptoanálise mais importante dos Estados Unidos como um grande sistema de espionagem: a NSA (National Security Agency, ou Agencia de Segurança Nacional). Através deste órgão mantido pelo governo, as pessoas são vigiadas em sigilo por intermédio da internet 24 horas por dia. Os operários, através de um supercomputador fictício, podem supervisionar cada e-mail trocado a fim de “evitar planos terroristas” encriptados, já que não é mais seguro se comunicar somente através dos caracteres do alfabeto. Mesmo sem cometer crime algum, a vida de cada cidadão estava exposta a um grupo de matemáticos inteligentíssimos.
George Orwell faz coisa parecida em seu livro 1984, mas o recurso que ele usou pra descrever a diligência coletiva foi a infestação de teletelas por toda a Oceania, em residências, cantinas, departamentos... todos os lugares. A cada canto se via o rosto do Grande Irmão, o rosto inexistente ao qual todos deveriam adorar sem questionar.
Quando o assunto é manipulação da mídia ou espionagem, podemos ligar ambas ao governo e culpá-lo inteiramente por isso. Todo fim industrial ou de espionagem são de interesse do nosso própria potência para com cada um de nós, porque é através das indústrias que o país consegue investimento bélico pra manter contínuo o elo que liga a guerra às vinganças pessoais, e nós acabamos por nos enfiarmos nisso. Somos obrigados a adorar o nosso país. Qualquer prova ou descoberta que possa levar alguém para fora deste parâmetro simplesmente “não exite... nunca existiu”.