quarta-feira, 22 de abril de 2009

A relação dos quadrinhos com o cinema


Um ponto interessante que vale ser abordado é a relação entre dois dos mais recorridos e práticos meios de se contar uma estória através da arte seqüencial. As estórias em quadrinho da atualidade com certeza SÃO o cinema, porque o cérebro é capaz de juntar uma determinada série de imagens (o cinema nada mais é que um bocado de figuras que, ao passarmos folha por folha, percebemos algum tipo de movimentação) que acaba por acarretar numa cena perfeitamente construída, é como se a pessoa estivesse vivendo aquele momento, com cenários e efeitos visuais incríveis. Isso é a série de imagens estáticas que compõem a ilusão de movimento na cabeça do ser humano. A projeção dessas imagens devem gerar, no mínino, 16 quadros por segundo para a ilusão ser concretizada, e nós não notamos isso em momento algum.
A estória em quadrinhos faz uma coisa parecida, mas com um material muito mais econômico e manual que o usado nas telonas. Holywood e o resto das indústrias capitalistas dependem de máquinas, produtores, atores, diretor, roteirista e bastante investimento pra coisa ficar pelo menos aceitável. Nós podemos fazê-lo em uma revista.
Na hq, os quadros que mostram as cenas, apesar de não formarem um movimento visualmente perfeito, produzem um efeito muito parecido, mas que reage na mente do leitor de maneira perceptível. Todos somos capazes de aglomerar cenas avulsas e torná-las parte de um só universo, por isso algo contado desta forma surte quase a mesma sensação de estarmos vivendo o que nos está sendo apresentado.
Já os roteiros são parcialmente diferentes. Parcialmente porque os quadrinhos antigos eram escritos de maneira mais objetiva, mais profunda e com uma explicação detalhada. Não era preciso reler uma estória para entendê-la porque um balão costumava explicar o que o personagem queria dizer, se aquele fosse realmente o momento certo para explicar o quer que fosse. Mas o cinema tem grande influência nisso, com o passar do tempo ele nos trouxe falas cheias de “frases feitas” e se desvencilhou totalmente do núcleo da estória. Temos filmes que foram feitos para serem mais ressonados do que apreciados. Os capitalistas têm duas armas para encobrir a falta de conteúdo: Uma são as já citadas frases para cativar o público, fazê-lo gritar :”Esse cara é o tal”, tirá-lo do rumo que ele estava seguindo. A outra é a consistência de porrada. Claro que um filme, se ele é de gênero policial ou artes marciais nunca deve dispensar a ação, mas isso não quer dizer que ele não possa ter uma boa estória, um motivo convincente para tudo isso. Dois boxeadores não vão se enfrentar à toa, simplesmente por estarem em cima do mesmo tatami.
Há coisas que acontecem no cinema que atrapalham os quadrinhos, mas nada que acontece nos quadrinhos atrapalha o cinema. O mago Alan Moore (para quem não conhece, o melhor escritor de quadrinhos até hoje) foi o responsável por dizer pela primeira vez ao povo sobre isso. Segundo ele os quadrinhos nunca darão certo no cinema, uma adaptação fiel é completamente desnecessária aos olhos de quem lê uma boa estória nas páginas.
Não estou inferiorizando o cinema de maneira coletiva, mas perto dos quadrinhos ele tem pouca liberdade de criação e nem tudo pode se resolver com a tecnologia que os editores têm em mãos.

1 Comentários:

Às 23 de abril de 2009 12:46 , Blogger rocksbarcellos disse...

considero cinema e HQs artes à parte

e discordo q o cinema "atrapalha" os quadrinhos

q nem moore diz numa entrevista quando perguntaram se ele estava preocupado q os filmes possam estar "arruinando" suas obras e moore responde citando um autor de livros a quem foi feito a mesma pergunta :


não, eles não foram arruinados ou destruídos, eles continuam ali pra qualquer um ler



mas em relação a limitação do cinema em relação aos quadrinhos, sim, obviamente os quadrinhos dão uma liberdade q o cinema não dá


pra se ter essa liberdade, q os quadrinhos dão, o cinema precisa de MUITA grana


e quando tem tanta grana envolvida, quem investiu nisso vai qerer alguma garantia de retorno


e aí fazem "concessões" na história para tentar garantir o grande publico


o problema então é o sistema em q o cinema tá inserido


não o cinema em si (lembrando também q nos ultimos anos vimos exceções q conseguiram conciliar espetáculo pras massas com boa história, como homem de ferro, cavaleiro das trevas.....)

e se por um lado os quadrinhos dão liberdade extrema, por outro, em relação ao cinema, perde no impacto q as imagens do cinema (com efeitos especiais super caros e trabalhosos) tem

por mais bonitas imagens q ilustradores consigam fazer nunca vão substituir as imagens em movimento e a ilusão de coisas fantásticas no mundo real

são experiências diferentes

e uma não precisa necessariamente excluir a outra

nos quadrinhos existe um trabalho de imaginação parcial(parcial pq tu não precisa imaginar tanto, tem uma imagem ali)

no cinema é o espetáculo da imagem por excelência


mas, lembrando também q as HQs por mais liberdade q dêem aos criadores ainda estão no mesmo sistema q o cinema está e basicamente também querem garantia de lucro

o q significa q,como estamos cansados de ver, eles também acabam fazendo "concessões" para tentar atingir o grande público

mas o texto tá legal

parabéns ;)

 

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